Bento e a medalha

Bento e a medalha – Capítulo 6: O segredo

Bento teve que contar o ocorrido com os cães de forma bem simples para sua mãe, pois ainda nem ele mesmo entendia o que havia ocorrido. Sua mãe, sem muito entender, ficou aliviada por ele não ter se machucado.

Bento ainda disse que iria na casa de José e sua mãe, já um pouco mais tranquila, voltou a fazer seus afazeres dentro de casa. Mas, antes de seguir para a casa do amigo, ficou ali parado por alguns segundos, ele começava a entender que aquela medalha estava sendo usada na sua proteção e que aquela luz foi enviada apenas para que seus olhos a vissem.

Quando Bento ia seguir para a casa de José, o mesmo já o observava, imóvel, há alguns minutos do portão de sua casa. Estava assustado com o que tinha acontecido. Ao se aproximar de José, Bento logo perguntou o que ele havia visto.

— O que foi aquilo? — Perguntou José ainda assustado. — Como aqueles cães não te atacaram?

— Preciso te contar algumas coisas, mas você precisa guardar este segredo!

— Segredo? —Disse Clara se aproximando quase sem eles notarem. — Então eu também vou querer saber.

Os três amigos compartilhavam quase tudo, mas Bento ficou preocupado pois poderia estar falando alto demais. Então combinou de irem aos banquinhos da praça que ficava praticamente na frente de suas casas. Lá, Bento, contou quase que sussurrando o que acontecera desde o dia anterior.

— Que máximo! — Comentou Clara durante a conversa. — Parece que Deus está usando esta medalha para que você tenha mais fé e acho que você já entendeu como funciona. Acha que podemos contar ao padre Carlos sobre isso? Talvez ele o ajudaria a saber o que fazer diante disso.

Padre Carlos era pároco da Paróquia Santa Terezinha, a qual eles frequentavam, era um grande amigo dos três e sempre dava conselhos a eles em situações complicadas. Bento concordou com Clara e então eles não perderam tempo, naquela hora os padres realizavam atendimento de confissões e talvez Padre Carlos pudesse conversar com Bento. Sem perder tempo, os amigos foram logo avisar aos pais para que pudessem ir à igreja.

Com autorização dos pais, foram à igreja. A mãe de Clara os levou de carro até lá. Os três tinham tanta pressa que, ao entrarem pelo portão da igreja, esbarraram em padre Carlos:

— Calma, crianças! Que pressa é essa?

— A sua benção, Padre. — Disse Bento sem graça. —Desculpa a pressa, mas preciso falar com o senhor.

Como haviam outros padres atendendo as confissões e já não havia outras pessoas na fila, ele chamou Bento até uma sala que estava disponível. Enquanto isso, Clara e José ficaram na Capela do Santíssimo.

Bento, ao entrar na sala, já foi logo contando o que houve antes mesmo de se sentar. Estava ansioso para ouvir os conselhos do padre, mas, enquanto contava, padre Carlos mudou o seu semblante e logo o interrompeu:

— Então você é o garoto da minha visão!

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