Bento e a medalha

Bento e a medalha – Capítulo 10 (final): O veneno

Bento ficou um tempo sentado à mesa do restaurante sem interagir. Sua mãe, notando que estava muito quieto, perguntou se estava tudo bem.

– Sim, está! Acho que só preciso ir ao banheiro.

Bento foi ao banheiro acompanhado de seu irmão mais velho, por um instante achava que só precisava caminhar um pouco. Ao entrar em um dos boxes do banheiro, ouviu uma pessoa falando ao celular. Tentou não dar importância, mas em um momento ouviu algo bem nítido:

– Fica tranquilo, tenho veneno o suficiente para ele!

Bento se assustou naquele instante. Não sabia do que se tratava, mas só queria sair logo dali. Como imaginava que alguém estava em perigo, fez o sinal da cruz pedindo proteção a Deus. No mesmo instante, ouviu o barulho de um objeto de vidro se quebrar e, em seguida, o homem saiu correndo do banheiro.

Bento achou aquilo muito estranho. Ao sair do box em que estava e olhar para o box ao lado, viu uma pequena serpente em meio aos cacos de vidro. Não perdeu tempo e saiu logo dali, nada daquilo fazia sentido para ele. Como seu irmão não havia visto dentro do box em que o homem estava, estranhou a sua pressa, mas achou que o barulho seria normal por ali ser um restaurante.

Ao voltar para mesa, Bento tentou não demonstrar que estava assustado, ficou olhando tentando encontrar o homem que estava no banheiro minutos atrás. Depois de um tempo procurando, viu um homem de jaqueta preta limpando o sangue de sua mão com um guardanapo, só podia ser ele. Aquele homem estava sentado à mesa junto a outro, um homem com uniforme de trabalho que talvez fosse a pessoa que tivesse em perigo.

Enquanto seu pai fazia o pedido do almoço, Bento observava aqueles dois homens conversando. O homem que havia se cortado parecia não ter boas intenções com o outro. Foi então que Bento viu ele distrair a sua companhia derrubando um talher no chão. Enquanto o homem de uniforme se abaixou para pegar, o de jaqueta tinha colocado algo rapidamente dentro de um dos pães que estava na mesa e que haviam sido servido de entrada há poucos minutos pelo garçom. Bento ficara aflito, principalmente ao ver que o homem de uniforme pegou o pão para comer.

Bento tinha pouco tempo de reação. Naqueles poucos segundos, teria que decidir entre chamar o seu pai ou correr para impedir que aquele homem comesse o pão, mas acreditou que não teria tempo o suficiente em nenhuma daquelas opções. Foi então que segurou a sua medalha, fechou os olhos e pediu proteção a São Bento, era hora de comprovar se realmente podia contar com sua intercessão.

Naquele instante, Bento sentiu a presença de Deus de forma diferente, mais próxima como nunca havia sentido. Com seus olhos fechados, parecia ter um grande tempo para falar com Ele, sem pressa. Conseguiu pensar em tudo o que estava se passando nos últimos dias, tinha muito o que questionar e pedir a Deus, mas deixou tudo de lado para pedir para que protegesse o homem que estava em perigo.

Quando Bento abriu os olhos, inacreditavelmente, um corvo entrou voando rapidamente naquele restaurante e pegou aquele pão envenenado. Os clientes do restaurante se assustaram e, antes mesmo que saíssem de seus lugares, aquele corvo saiu dali pela mesma porta que havia entrado levando o pão para longe. 

Bento ficou boquiaberto com aquilo. Logo chamou seu pai em um canto e contou que havia acontecido uma tentativa de envenenamento e que precisava chamar a polícia. O pai de Bento, de início, não quis acreditar, mas foi até o banheiro para comprovar o que seu filho havia contado. Depois de ver os cacos de vidro no chão do banheiro, ligou para a polícia imediatamente.

Ao saírem do banheiro, viu que o homem de jaqueta estava se levantando para ir embora junto com o homem de uniforme. O pai de Bento, sem saber como pará-lo, teve uma reação rápida. Correu ao seu encontro e disse:

– Senhor acredito que perdeu algo no banheiro, se puder conferir se é seu.

O homem de jaqueta apenas olhou e pensou que poderia mesmo ter esquecido algo de valor. Sem falar nada, apenas acenou com a cabeça como se confirmasse e se dirigiu ao banheiro, parecia não querer conversa. O pai de Bento foi até ao homem com o uniforme e disse:

– Você precisa sair daqui, aquele homem tentou envenená-lo.

O homem achou mesmo que poderia ser verdade, tinha motivos para isso, e fez o que o pai de Bento pediu. Os seguranças do restaurante foram acionados e, em pouco tempo, o homem de jaqueta havia sido contido por eles na saída do banheiro. A polícia chegou em seguida e encontrou um pequeno pacote de veneno no bolso da jaqueta daquele homem e outras provas suficientes para prendê-lo.

Por uns instantes, os clientes do restaurante ficaram aflitos, mas logo tudo se acalmou quando o homem de jaqueta saiu algemado dali. Depois disso, o homem de uniforme voltou para agradecer o pai de Bento e conversaram por alguns instantes. Em seguida, se dirigiu ao menino e disse:

– Muito obrigado! Seu pai me disse que foi você quem me ajudou. Eu estava com algumas dívidas e confiei na pessoa errada.

Bento, sem saber o que responder, pegou o livro que havia ganhado naquele dia e disse:

– Pega, é seu! Confie sempre em Deus e peça a intercessão deste santo protetor, foi ele quem o ajudou hoje.

Aquele homem saiu dali com um grande sorriso no rosto mesmo diante do ocorrido, aquele era um grande motivo para voltar a Deus. E Bento não parava de olhar para o brilho imenso de sua medalha. Não sabia quando seria a sua próxima aventura, mas sentia que agora poderia ajudar àqueles que precisassem a sua volta, Deus havia lhe confiado uma grande missão.

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