Então… é Natal?

Era véspera de Natal, Isaac observava o intenso movimento nas ruas através da varanda de sua casa. O tempo estava frio, chovia bem pouco, nada que impedisse as pessoas de circularem pelas ruas. Havia muita agitação principalmente nos comércios e uma música não parava de tocar: “Então é natal, e o que você fez?…”.

Isaac sempre cantou essa música de forma tão mecânica e passiva que nunca percebeu que ela é terminada com um ponto de interrogação e não um ponto final. Ele então começou a ficar atento à letra daquela música e a tentar perceber qual a diferença de um ponto para o outro se o coração e as atitudes das pessoas eram as mesmas.

Todos os anos, ele via acontecer sempre as mesmas coisas. Antes de dezembro chegar, as lojas já estavam enfeitadas e as caixinhas de Natal já postas à espera de corações bondosos e bolsos cheios. A grande maioria das pessoas tinha o pensamento de que Natal sem presente não é Natal… mas, dessa vez, isso começava a mudar no coração de Isaac.

Todo ano, ele presenciava as pessoas correndo feito loucas para preparar a ceia, comprar os presentes, uma roupa nova, trocar os móveis da casa, fazer doação para crianças carentes. E, então quando chegava o dia tão esperado, vinte e cinco de dezembro, os convidados de sua casa chegavam, devoram a ceia, trocavam os presentes e, logo em seguida, iam embora da mesma forma que chegavam… não traziam muito e nada levavam em suas bagagens.

— Isaac, não vai se arrumar? Só falta você — Isaac se assustou ao ouvir sua mãe chamá-lo.

— Já estou indo, só preciso me responder alguns questionamentos — respondeu Isaac.

Já era noite e ele ainda estava com algumas perguntas em sua cabeça: “O que aconteceu com a magia do verdadeiro Natal? Será que é possível mudar isso?”.

— Você pode mudar! – gritou Júlia, sua grande amiga.

Isaac não havia percebido a presença de Júlia lá embaixo na calçada de sua casa. Ao olhar, questionou:

— O que posso mudar?

— Não sei, mas você pode. Estou indo à casa dos meus avós, mas volto aqui para presenciar algo diferente à noite.

Júlia, sem esperar resposta de Isaac, saiu correndo para casa de seus avós. Isaac ficou pensando naquilo que ela falara e, em seguida, lembrou-se dos anos anteriores, Júlia sempre visitava seus avós antes de ir à sua casa comemorar a chegada do Natal e ela chegava com uma alegria incrível. Ficou pensando no que Júlia fazia de diferente e, em poucos segundos, resolveu, pela primeira vez, ver como era o Natal na casa dos avós dela. Saiu correndo, desceu as escadas, viu que havia alguns de seus familiares e amigos da família distantes uns dos outros, alguns sem conversarem, outros que já estavam indo embora.

— Esperem! — gritou Isaac para aqueles que estavam indo embora. — Não vão, por favor. Preciso que estejam aqui quando eu voltar. Não demoro. Depois explico.

Todos que estavam na casa se assustaram e, como Isaac havia saído de casa rapidamente, eles resolveram esperar para ver o que iria acontecer. Isaac foi até à casa dos avós de Júlia, era bem perto de sua casa. Ao chegar lá, antes de entrar, observou pela janela que os familiares de Júlia haviam acabado de terminar suas orações e, com vários sorrisos ali, se dirigiam à cozinha para cearem juntos.

Depois de alguns minutos, Isaac entrou na casa sem que ninguém percebesse e, de um lugar atrás da casa que dava acesso à cozinha, observava aquela família reunida. Eles se amavam, trocavam delicadezas e gentilezas. Mais do que presentes, havia a troca de olhares e demora nas conversas. Sim, as conversas existiam sem pressa, sem medo das palavras, tudo era matéria para uma boa prosa enquanto esperavam ansiosos o tilintar do relógio apontando para meia-noite.

— Está chegando a hora de cantar parabéns para o aniversariante! — anunciava a mãe de Júlia conduzindo todos para um lugar próximo à árvore de natal.

A sala estava ornamentada com vários animais, palhas e faixas para enrolar o recém-nascido que acabara de nascer. As crianças eram as primeiras a chegar movidas por uma alegria vibrante e com um brilho incandescente em seus olhos.

— Oi, Isaac! — dizia a sobrinha de Júlia que corria animada junto aos seus irmãos e primos para perto da árvore.

Logo atrás vinham os adultos um pouco mais comedidos, mas não menos felizes e habitados por uma alegria que não passaria logo depois que a ceia fosse devorada. Todos viam aquele momento como o mais importante da noite, onde toda a família parava para render graças a um Menino que acabara de nascer, um Menino que havia sustentado toda aquela família durante o ano inteiro, que havia feito morada em seus corações, em cada milésimo de segundo do ano transcorrido, que semeou a alegria e trouxe a paz.

Júlia, antes de ir para a sala, olhou para trás e viu Isaac a chorar e a observar toda aquela movimentação. Aproximou-se, deu um abraço silencioso e disse:

— Faltam 10 minutos ainda… sua família espera viver tudo isso também. Como todo ano, passarei lá para levar um pouco da alegria que existe aqui. Mas, agora, precisa correr!

Isaac olhou nos olhos de Júlia e, vagarosamente, deu um beijo em sua testa. Sem perder tempo, correu para sua casa. Precisava levar um Natal diferente a sua família. Precisava levar amor, felicidade, união, gentileza… e a verdade sobre o nascimento de um Menino!

Por Robson dos Reis e Francielle Raminy para o II Concurso Contos de Natal 2015.

Então é Natal

O blog Tempo de Papel deseja a todos os seus leitores um feliz verdadeiro Natal. Que Deus os abençoe!

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s