Deserto Gelado

Deserto Gelado

Por um longo tempo, caminhei através de um imenso deserto gelado, um lugar pelo qual não conseguia enxergar nada além de mim mesmo. A medida que o tempo passava, eu começava a caminhar sem direção, parecia não haver mais destino ao meu coração. Então eu apenas caminhava… E, no fundo, eu sabia que eu carregava meu destino em minhas mãos.

Por muitas vezes, senti frio e, com ele, me senti sozinho. Por muitas vezes, eu cai, mas transformei a dor em coragem para me levantar. Por muito tempo, carreguei a dor, mas todo aquele caminho “sem fim”, todo aquele silêncio foi capaz de fazer com que eu me aproximasse mais dela e então ganhei uma grande amiga… a minha dor. Tive que aprender a conviver com ela para evitar os tropeços pelo caminho.

O tempo ia passando, eu só percebia isso quando acolhia ou me despedia do sol, da lua, das estrelas. A lua… como conversávamos. Virei mensageiro fiel dela para o sol e aprendi muito com os dois. E as estrelas sempre estavam a sorrir. Foi percebendo a existência deles que vi que eu não estava sozinho. Mas não me aproximei deles assim tão fácil…

Quando, de fato, percebi que estava naquele lugar, o sol havia me acordado com o seu brilho sobre mim. Eu estava ali, naquele silêncio, jogado ao chão. Depois de um longo tempo tentando entender onde eu estava e porque eu estava ali, eu havia conseguido me levantar. Olhei para os lados e não havia nada nem ninguém além de mim. Meus pés descalços tocavam aquele chão imensamente gelado.

Então eu comecei a dar passos e a procurar uma saída daquele lugar, parecia estar sendo em vão. E o frio… me fazia tremer. Olhei para o sol e questionei o porquê dele não me aquecer e ele tentava me mostrar que não era aquele lugar que fazia frio, mas era o meu coração que se encontrava congelado. Fiquei triste ao ver que aquilo era real.

Mas fui pegando intimidade com o sol e abrindo o meu coração a ele e, com o tempo, fui vendo que as minhas lágrimas surgiam naturalmente… Era meu coração que, ao ser aquecido por ele, ia se descongelando. A minha história ia se refazendo e eu… continuava a caminhar.

E a lua… É uma longa história. Talvez eu não precise descrever como nos conhecemos. Mas eu a carreguei em minhas mãos.

Minha caminhada estava sendo longa, mas eu continuava seguindo o mesmo caminho que o vento me guiava há algum tempo. Eu ouvia, constantemente, ele me dizer “seja firme em sua caminhada”. E eu tentava… Tentava acreditar que algo estava por vir.

De repente, depois de longos dias, fui percebendo que, realmente, eu não estava mais sozinho. E, em uma manhã, encontrei um anjo que já habitava o mundo com a sua imensa bondade. Era lindo! Seus olhos brilhavam, seu sorriso me fez parar. Ele veio com luz até mim e o vento começou a soprar em uma só direção. Ele estava diante de mim e eu podia sentir o seu coração. E, no meu íntimo, eu sabia que ele poderia transformar o deserto que existia em mim, pois as lágrimas já haviam cessado.

Fragmentos de Cartas para um Anjo de Robson dos Reis

Anúncios

2 pensamentos sobre “Deserto Gelado

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s